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A Oração de Jesus, um resumo do Evangelho

 

 A Oração de Jesus, um resumo do Evangelho.


Teologicamente, como o declara com razão o Peregrino Russo, a Prece de Jesus “encerra em si mesma toda a verdade do Evangelho”: trata-se de “um resumo dos Evangelhos”. Numa única e curta fórmula, ela incorpora os dois principais mistérios da fé cristã, a Encarnação e a Trindade.

Em primeiro lugar, ela fala das duas naturezas do Cristo homem-Deus (Theanthropos): de sua humanidade, pois ele é invocado por seu nome humano “Jesus”, que sua mãe Maria lhe deu depois de seu nascimento em Belém; e de sua eterna divindade, pois ele também é chamado de “Senhor” e de “Filho de Deus”.

Em segundo lugar, a Prece fala por implicação, embora não explicitamente, das três Pessoas da Trindade. Quando ela se dirige à Segunda Pessoa da Trindade, Jesus, ela o faz também ao Pai, pois Jesus é chamado de “Filho de Deus”; e o Espírito Santo acha-se igualmente presente na Prece, pois ninguém pode dizer “Jesus é Senhor, se não for no Espírito Santo”.

Assim, a Prece de Jesus é simultaneamente cristocêntrica e trinitária. Do ponto de vista da devoção, ela não é menos completa. Ela abarca os dois momentos principais da devoção cristã: o “momento” da adoração, da contemplação da glória de Deus e do reencontro no amor; e o “momento” da penitência, o sentido da indignidade e do pecado.

Existe um movimento circular no interior da Prece, uma sequência de subidas e descidas. Na primeira metade da Prece nós “nos atiramos” para Deus: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus...”, e na segunda metade retornamos a nós mesmos cheios de compunção: “tem piedade de mim, pecador”. Aqueles que experimentaram o dom do Espírito, como estabelecido nas Homilias de Macário, têm consciência das duas coisas ao mesmo tempo: de um lado, da alegria e da consolação; de outro, do tremor, do temor e da tristeza. Esta é a dialética interna da Prece de Jesus.

 - Pe. Kallistos Ware