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O Glorioso Apóstolo e Evangelista, São Mateus

 

O Santo Apóstolo e Evangelista Mateus, também foi chamado Levi (Marcos 2:14; Lucas 5:27); ele era um dos Doze Apóstolos (Marcos 3:18; Lucas 6:45; Atos 1:13), e era irmão do apóstolo Tiago Alfeu (Marcos 2:14). Ele era um publicano, ou cobrador de impostos para Roma, em uma época em que os judeus estavam sob o domínio do Império Romano. Ele morava na cidade galileia de Cafarnaum. Quando Mateus ouviu a voz de Jesus Cristo: “Vem, e segue-me” (Mt. 9:9), ele deixou tudo e seguiu o Salvador. Cristo e Seus discípulos não recusaram o convite de Mateus e visitaram sua casa, onde compartilhavam a mesa com os amigos e conhecidos do publicano. Como o anfitrião, eles também eram publicanos e pecadores conhecidos. Este evento perturbou muito os fariseus e escribas. 

 Os publicanos que cobravam impostos de seus compatriotas faziam isso com grande lucro para si mesmos. Normalmente pessoas gananciosas e cruéis, os judeus os consideravam traidores perniciosos de seu país e religião. A palavra “publicano” para os judeus tinha a conotação de “pecador público” e “adorador de ídolos”. Até mesmo falar com um cobrador de impostos era considerado um pecado, e associar-se a um era contaminação. 

Mas os mestres judeus não foram capazes de compreender que o Senhor tinha “vindo para chamar não os justos, mas os pecadores ao arrependimento” (Mt. 9:13). Mateus, reconhecendo sua pecaminosidade, recompensou quatro vezes qualquer um que ele havia enganado, e ele distribuiu suas posses restantes para os pobres, e ele seguiu a Cristo com os outros apóstolos. São Mateus estava atento às instruções do Mestre Divino, viu os seus inumeráveis milagres, acompanhou a pregação dos Doze Apóstolos às “ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt. 10:6). Ele foi testemunha do sofrimento, morte e ressurreição do Salvador e de Sua gloriosa ascensão ao céu. 

Tendo recebido a graça do Espírito Santo, que desceu sobre os Apóstolos no dia de Pentecostes, São Mateus pregou na Palestina por vários anos. A pedido dos judeus convertidos em Jerusalém, o santo apóstolo Mateus escreveu seu Evangelho descrevendo a vida terrena do Salvador, antes de partir para pregar o Evangelho em terras distantes. 

Na ordem dos livros do Novo Testamento, o Evangelho de Mateus vem em primeiro lugar. A Palestina é o lugar onde o Evangelho foi escrito. São Mateus escreveu em aramaico, e depois foi traduzido para o grego. O texto aramaico não sobreviveu, mas muitas das peculiaridades linguísticas e histórico-culturais da tradução grega dão indicações disso. O apóstolo Mateus pregou entre as pessoas que estavam esperando o Messias. Seu Evangelho se manifesta como uma prova vívida de que Jesus Cristo é o Messias predito pelos profetas, e que não haveria outro (Mt. 11:3). A pregação e os atos do Salvador são apresentados pelo evangelista em três divisões, constituindo três aspectos do serviço do Messias: como Profeta e Legislador (Cap. 5-7), Senhor sobre o mundo visível e invisível (Cap. 8-25), e finalmente como Sumo Sacerdote oferecido como Sacrifício pelos pecados de toda a humanidade (Cap. 26-27). 

 O conteúdo teológico do Evangelho, além dos temas cristológicos, inclui também o ensinamento sobre o Reino de Deus e sobre a Igreja, que o Senhor apresenta em parábolas sobre a preparação interior para entrar no Reino (Cap. 5-7), sobre a dignidade dos servidores da Igreja no mundo (Cap. 10-11), sobre os sinais do Reino e seu crescimento nas almas da humanidade (Cap. 13), sobre a humildade e simplicidade dos herdeiros do Reino (Mt. 18:1-35; 19 13-30; 20:1-16; 25-27; 23:1-28), e sobre as revelações escatológicas do Reino na Segunda Vinda de Cristo dentro da vida espiritual diária da Igreja (Cap. 24-25. O Reino dos Céus e a Igreja estão intimamente interligados na experiência espiritual do cristianismo: a Igreja é a encarnação histórica do Reino dos Céus no mundo, e o Reino dos Céus é a Igreja de Cristo em sua perfeição escatológica (Mt. 16:18-19; 28:18-20). 

 (O santo Apóstolo trouxe o Evangelho de Cristo para a Síria, Média, Pérsia, Pártia, e terminando sua pregação na Etiópia com a morte de um mártir. Esta terra era habitada por tribos de canibais com costumes e crenças primitivas. O santo apóstolo Mateus converteu alguns dos adoradores de ídolos à fé em Cristo. Ele fundou a Igreja e construiu um templo na cidade de Mirmena, estabelecendo lá seu companheiro Platão como bispo. 

Quando o santo apóstolo estava fervorosamente suplicando a Deus pela conversão dos etíopes, o próprio Senhor lhe apareceu na forma de um jovem. Deu-lhe um cajado e ordenou-lhe que o colocasse às portas da igreja. O Senhor disse que uma árvore cresceria deste cajado e daria frutos, e de suas raízes fluiria um fluxo de água. Quando os etíopes se lavaram na água e comeram o fruto, eles perderam seus caminhos selvagens e se tornaram gentis e bons. 

Quando o santo apóstolo levou o cajado para a igreja, ele foi recebido pela esposa e filho do governante da terra, Fulviano, que foram afligidos por espíritos imundos. Em nome de Cristo, o santo apóstolo os curou. Este milagre converteu um número de pagãos ao Senhor. Mas o governante não queria que seus súditos se tornassem cristãos e deixassem de adorar os deuses pagãos. Ele acusou o apóstolo de feitiçaria e deu ordens para executá-lo.

Eles colocaram São Mateus de cabeça para baixo, empilharam gavetos e acenderam. Quando o fogo se acendeu, todos viram que o fogo não prejudicou São Mateus. Então Fulviano deu ordens para adicionar mais lenha ao fogo, e frenético com ousadia, ele ordenou a criação de doze ídolos ao redor do fogo. Mas as chamas derreteram os ídolos e se acenderam em direção a Fulviano. O etíope assustado virou-se para o santo com um pedido de misericórdia, e pela oração do mártir a chama se apagou. O corpo do santo apóstolo permaneceu ileso, e ele partiu para o Senhor. 

 O governante Fulviano se arrependeu profundamente de sua ação, mas ainda tinha dúvidas. Por sua ordem, eles colocaram o corpo de São Mateus em um caixão de ferro e o jogaram no mar. Ao fazer isso Fulviano disse que se o Deus de Mateus iria preservar o corpo do apóstolo na água como Ele o preservou no fogo, então esta seria a razão adequada para adorar este único Deus verdadeiro. 

Naquela noite, o apóstolo Mateus apareceu ao bispo Platão em um sonho, e ordenou-lhe para ir com o clero para a costa do mar e encontrar seu corpo lá. O justo Fulviano e sua comitiva foram com o bispo para a costa do mar. O caixão carregado pelas ondas foi levado para a igreja construída pelo apóstolo. Então Fulviano implorou perdão ao santo apóstolo Mateus, após o que o bispo platão o batizou, dando-lhe o nome de Mateus em obediência a um mandamento de Deus. 

Logo São Fulviano-Mateus abdicou de seu governo e tornou-se um presbítero. Após a morte do bispo Platão, o apóstolo Mateus apareceu para ele e o exortou a chefiar a Igreja Etiope. Tendo se tornado bispo, São Fulviano-Mateus trabalhou na pregação da Palavra de Deus, continuando o trabalho de seu patrono Celestial. 

Retirado de OCA.org

 Tropário — Tom 3

Com zelo, tu seguiste a Cristo, o Mestre, / que em Sua bondade, apareceu na terra para a humanidade. / Convocando-te da alfândega, / Ele te revelou como um apóstolo escolhido: / o proclamador do Evangelho para o mundo inteiro! Portanto, divinamente eloquente Mateus, nós honramos tua preciosa memória! Propicie o Deus misericordioso para que Ele possa conceder às nossas almas a remissão das transgressões. 

 Kondákion — Tom 4

Deixando de lado os laços da alfândega para o jugo da justiça, / Tu foste revelado como um excelente comerciante, rico em sabedoria do alto. Tu proclamaste a palavra da verdade e despertaste as almas dos preguiçosos escrevendo sobre a hora do juízo.